sexta-feira, 25 de abril de 2008

DIA DO LIVRO

Com o tempo suas páginas começam a ficar amareladas e, se não houver cuidado, a traça corrói suas folhas. Mesmo velho, o prazer de abrí-lo página por página permanece o mesmo, e até mais que antes. Sabe envelhecer conosco e é expressão de uma sociedade, documento, fonte de sabedoria, de divertimento, de aprendizagem, de solidariedade, de contradições, de dramas, tragédias e relacionamentos humanos. Ele é a invenção mais avançada das tecnologias que NO DIA 23(quara-feira) teve o seu Dia Mundial, pena que nem tanto lembrado como antes.

Claro que estou falando do livro que, apesar de todos os avanços dos meios eletrônicos e dos níveis culturais em baixa, continua vivo e amigo. Dos manuscritos aos papiros, da China antiga ao Egito dos faraós, da Grécia dos filósofos ao império romano, da Palestina de Jesus ao tempo do império Otomano, ele se fez vida e perenizou com a invenção de Gutemberg no século XVIII. Nele se fizeram verbo os ensinamentos do cristianismo, do judaísmo, do islamismo e de tantas outras religiões, seitas, filosofias e ciências. Ele se encarnou em nós para abrir a mente e alimentar o espírito.

Mas, os tempos mudaram; se modernizaram e surgiram as tecnologias eletrônicas. As ondas do rádio, da televisão e do computador fecharam, infelizmente, suas páginas para uma boa parte das novas gerações, mas ele continua e continuará sendo aberto por milhões de admiradores que nele saciam sua sede de conhecimento. Tentaram decretar sua morte por várias vezes, mas sua vida é eterna. Será que ele deixará de existir?

O escritor e filósofo Umberto Eco certa vez comentou que o livro pertence a essa classe de instrumento que, uma vez inventado, não foi aprimorado porque já está bom o bastante, como o martelo, a faca, a colher ou a tesoura. Ele pode ser levado para qualquer lugar e oferece prazer; é mais sentimental e mais romântico. Alguém já disse que ler numa tela de computador é como comer em restaurante a quilo. Ler um livro é como almoçar a la carte.

É uma verdade lamentável que com o baixo nível de ensino, com a internet usada para copiar programas; se ver sites de pornografias e para o bate-papo, o livro virou uma peça arcaica para milhares de jovens que se contentam com as imagens e o clicar de algumas mensagens mal escritas. Mas, engana-se quem diz que ele está obsoleto. A fita cassete deixou de existir, as máquinas analógicas também, o venil idem, mas o livro não.

É lamentável constatar que o baixo nível cultural está relacionado com o baixo nível de leitura do nosso povo. No nosso país, as bibliotecas, as livrarias, os sebos e as editoras se tornaram mais escassos. A literatura é o primo pobre das linguagens e das expressões artísticas. Para se ter uma idéia, na França, cerca de 20% da produção editorial é destinada às bibliotecas públicas. No Brasil, esse índice gira em torno de 1% . A política de incentivo à leitura não está sendo levada a serio, e o autor sofre para publicar sua obra, especialmente quando passa da etapa da impressão para a divulgação e a distribuição. O acesso aos editais são intrincados, burocráticos e concentrados em um grupo de privilegiados. A descentralização das capitais para o interior ainda é tímida. O pior de tudo é que muitas obras são publicadas e depois abandonadas nos porões das fundações públicas.

No Dia Mundial do Livro, transcorrido ontem(dia 23), pouco lembrado nas escolas e instituições públicas e privadas, não se tem muito o que comemorar. No entanto, é tempo de lembrar de Machado de Assis(cem anos de falecimento), de José de Alencar, de José Lins do Rego, de Gilberto Freyre, de Jorge Amado, de Clarice Lispector, de Saramago, de Gabriel Garcia Marques, de Pablo Neruda, de Castro Alves, de Álvaro de Azevedo, Cassimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Rachel de Queiroz, Olavo Bilac, Érico Veríssimo, Manuel Bandeira, Carlos Drummond e de tantos outros que permanecem vivos entre nós. Seja na forma de poesia, de crônicas, contos, prosas, romances, de pesquisa, ficção, biografia, ou ciência, ele será eterno. Como diz Luiz Fernando Veríssimo, no futuro ainda perguntarão se o livro tem futuro.

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