domingo, 3 de fevereiro de 2008

MAIS OUTRO EQUÍVOCO

Depois da ministra Matilde Ribeiro, agora é o ministro dos Esportes(não sei para que esse ministério), Orlando Silva(nome de cantor) dizer que se equivocou ao usar indevidamente o cartão corporativo do governo, ou nosso, do povo, e anunciou que vai devolver R$30 mil. Ele usou o cartão numa tapiocaria em Brasília e afirmou que confundiu o cartão corporativo com o pessoal por serem dourados. É mais uma que não dá para engolir.

Em entrevista à imprensa, Orlando Silva entra em contradição quando diz que se equivocou e, mais adiante, assegura estar convicto de que tudo foi totalmente legal. Ora, se foi legal, por que, então, devolver R$30 mil? Como a sua colega da Igualdade Racial, condena a imprensa, achando que ela deve ser mais racional. Por racional, ele entende não divulgar os fatos de desvios de recursos para a população. É sempre assim, todos eles culpam a imprensa pelas mazelas praticadas contra o povo.

Mas, não é somente os dois ministros que têm muito a explicar sobre o uso e abuso dos cartões corporativos. O da Pesca e o dos Portos(outros ministérios desnecessários) também estão encrencados. O Hélio Costa, das Comunicações, diante das repercussões, já disse que não vai usar o cartão, a não ser em casos excepcionais.

Dinheiro na mão é uma tentação. Paulinho da Viola canta que “Dinheiro na mão é vendaval”. Como o cartão é dinheiro e objeto de consumismo do capitalismo desvairado, esse pessoal não consegue fugir do pecado e esquece que está lidando com recursos públicos. Fazem como o safado corrupto que declarou que dinheiro público não é de ninguém.

Agora que é carnaval das elites e da burguesia, o risco é ainda maior desse pessoal sair por aí esbanjando o cartão nos camarotes e nos hotéis, com mulheres e bebidas. Depois é só dizer que tudo não passou de um engano, já que estavam com umas doses a mais na cabeça e confundiram os cartões. Se fosse mesmo um país sério onde os governantes respeitassem a coisa pública, a questão seria mais investigada, e os culpados seriam punidos, não só com perdas de cargos, mas também com cadeia. No entanto, é só colocar alguém como bode expiatório, no caso a ministra Matilde Ribeiro, e tudo se esquece. Logo, logo, não se fala mais nisso, como todos outros escândalos.

O que mais causa indignação de tudo que está acontecendo na esfera das corrupções e dos desvios de recursos, é que esses atos estão ocorrendo justamente num Governo dito de esquerda que pregou durante anos muita lisura e ética. Foi só galgar o poder e tudo caiu como um castelo de areia. A culpa de tudo isso está nas alianças e coligações esdrúxulas que o Governo fez, colocando gente da direita conservadora da pior espécie no comando de cargos importantes(não é o caso específico dos ministros dos Espores e da Igualdade Racial).

O exemplo maior e mais recente das alianças com o diabo está na escolha do Edison Lobão para o ministério das Minas e Energia, só para satisfazer o cacique e coronel do Maranhão, José Sarney, sem contar o corrupto do Jader Barbalho que já meteu a mão num lote da pasta.

Quando a esquerda falou sinceramente ao seu povo, mais distante de suas mãos ficou o poder. Então ela procurou o atalho do discurso da direita, com apelo modernizante, para mais rápido alcançar o poder. Depois da crise com a perda das eleições de 1998, passou a aceitar receitas universais, para avançar. Essa esquerda entendeu que a única forma para ganhar seria virar-se pelo avesso diante do eleitorado e aderir ao catecismo burguês. E foi exatamente isso que aconteceu e continua acontecendo com as adesões absurdas e as escolhas de gente que só fizeram explorar o povo.

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