Um estudo britânico mostra uma triste realidade, mas que não surpreende pelo andar da carruagem dos últimos anos, inclusive no Brasil onde nossos jovens se perdem no comodismo das ondas eletrônicas e se distanciam do universo da pesquisa e na leitura dos livros. Como a internet já dá tudo pronto, é só copiar, sem o esforço da interpretação. De acordo com a pesquisa britânica, 93% dos jovens se satisfazem com os resultados da ferramenta de busca dos sites. Como eles começam sempre pela ferramenta de busca, 89% não sabem interpretar os fatos porque se contentam apenas com uma fonte.
A constatação do estudo é de que falta espírito crítico na geração pós-Google. Mesmo com a internet á mão, a qualidade da informação adquirida pelos jovens não melhorou. Pelo contrário, eles preferem dar uma olhada num site, em vez de ler o texto com o olho da crítica. Como o site dá tudo pronto, os estudantes, de um modo geral, entregam suas pesquisas na última hora e não se preocupam em entender o que está contida nelas. Com as facilidades oferecidas, tem muita gente que compra monografias e teses de mestrado exigidas pelas universidades para a conclusão dos cursos. O saber virou uma mercadoria para adquirir títulos.
Sobre o assunto, vários educadores dão suas opiniões e acham que esse comportamento existe por aqui também no Brasil, mais comum na rede pública. Entendo que não faz diferença entre rede pública e privada. A recomendação de outros especialistas é que os professores exijam dos alunos a bibliografia eletrônica de onde foi tirado um determinado trabalho. Entre as análises, uma delas está de que a sensação de que os dados para um trabalho serão facilmente encontrados, aguça a velha mania de fazer tudo em cima da hora. Tem professor que insiste na busca de sites confiáveis, não procurando apenas informações superficiais, mas a maioria não faz isso.
De acordo com um estudioso do assunto, para adquirir espírito crítico e depurar a informação, o aconselhável é praticar muito. O professor precisa se conscientizar de que seu papel deve ir além da falação nas salas de aulas. Muitos não gostam de ensinar e nem estão aí para estimular os estudantes, nem tampouco criticar seus trabalhos. Segundo um professor, existe hoje uma superficialidade muito grande, não só no meio eletrônico. A maioria copia e poucos se aprofundam no tema. Diante disso, não estamos formando cidadãos autônomos com senso crítico. Desapareceu o hábito da leitura. O reflexo está na baixa conscientização política e social.
E, por falar em leitura, o Brasil tem hoje 2.767 livrarias, numa proporção de 70 mil leitores para cada livraria. Nos Estados Unidos, cuja população está sendo atraída mais pelos computadores quando vão a uma biblioteca, a relação é de 15 mil habitantes por uma livraria, sendo o melhor índice do mundo. Para a UNESCO, o ideal é dez mil habitantes por livraria.
Sobre esta questão, ainda temos números piores. Em 2006, o Brasil editou 22 mil livros, contra 500 mil nos EUA. Temos um problema de escoamento das edições. No ano passado foram comercializados no país, 310 milhões de livros dos quais 185 milhões comprados pelo governo. Não basta informatizar as bibliotecas, o governo e a sociedade têm que criar um espírito de cultura livresca. Ocorre, que esse objetivo está sendo dificultado pelos meios audiovisuais (TV, computador e internet). Por não ser mais o único veículo transmissor de cultura, as pessoas preferem ler televisão que um livro.
Para disseminar a cultura, a Fundação Biblioteca Nacional está pegando a carona no avanço das novas tecnologias, como a internet, e está aderindo ao projeto Biblioteca Digital Mundial, tanto que já enviou milhares de mapas e documentos para o banco de dados mundial. Mas, a primeira biblioteca da América Latina e a oitava maior do mundo está preocupada também em criar novas bibliotecas no país, ofertando computadores e livros. Em 2007 a Fundação inaugurou 404 bibliotecas municipais, e mais 300 estão sendo encaminhadas com um kit de dois mil livros, estandes, computadores, CD players e softwares para catalogação das obras. Uma pena que ainda nossos governantes e prefeitos não tomaram consciência da importância e da prioridade absoluta da educação e da cultura para o desenvolvimento de um país. O negócio deles ainda é calçar ruas e fazer ponte quando não passa a mão no dinheiro do povo.
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