domingo, 17 de fevereiro de 2008

DIA DO REPÓRTER

Não recebi nenhum parabéns, nem ao menos do meu sindicato. Também confesso que não enviei nenhuma mensagem para meus colegas de profissão. O dia 16 de fevereiro – Dia do Repórter – passou praticamente despercebido pelos organismos da sociedade e pelos veículos de comunicação. Infelizmente, a nossa categoria de operários da notícia continua enfraquecida e sem a merecida representação. Também, é tanto dia para se homenagear profissionais que a coisa ficou banalizada.

No dicionário Houaiss, a definição de repórter é a de jornalista que recolhe informações, notícia de qualquer natureza, para transformá-la em matéria de noticiário. Noticiarista de periódico, rádio, televisão, sites, blogs, etc. Na prática é muito mais que isso. É o profissional da informação que deve dirigir seu trabalho com ética e responsabilidade. Não pode ser omisso e tem a obrigação de investigar os fatos, se pautando no contraditório como regra básica. Não pode ser tendencioso e sempre lutar pela liberdade de expressão.

O Dia do Repórter está mais para reflexão que homenagens, pois a profissão tem muito o que conquistar, especialmente a unidade da sua categoria. A classe precisa exigir respeitabilidade por parte da empresa jornalística que hoje ainda remunera mal o profissional e o sobrecarrega de funções, com o engodo de que ele precisa ser versátil e polivalente. Os grandes grupos de comunicação, principalmente, exploram a mão-de-obra do repórter que muitas vezes faz reportagens para o jornal, rádio, a televisão e o sistema on-line da empresa, recebendo por tudo apenas um baixo salário.

Outro problema grave é que a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão está até hoje suspensa na Justiça, o que significa que a categoria está sem regulamentação. Enquanto isso, escolas de jornalismo se espalharam por todo país, sem o devido critério, e muitas empresas não priorizam o diploma. Nos últimos anos, em decorrência da falta de um conselho ou órgão fiscalizador, aventureiros tomaram o mercado e não primam pela qualidade e o conteúdo ético da informação.

A nossa Lei de Imprensa é do tempo da ditadura militar, que limita a liberdade de expressão e penaliza repórteres que procuram cumprir com seu dever. A comunicação virou um latifúndio de poucos neste Brasil, e os barões da notícia manipulam a informação de acordo com seus interesses capitalistas. As concessões das emissoras de rádio e televisão são feitas automaticamente, sem a devida transparência e o conhecimento da sociedade.

No meio de tudo isso, lá está o repórter imprensado entre um baixo salário e a força das empresas de comunicação que exercem a censura quando a informação não é conveniente para seu grupo. No imediatismo para dar a notícia, cheio de pautas para cumprir no dia-a-dia, corre o repórter contra o tempo e, muitas vezes, termina cometendo pecados, mesmo cheio de boas intenções. Diante de tudo isso, quem mais perde é a sociedade que não recebe uma informação de qualidade e isenta como deveria ser.

Para completar, temos um sindicato e uma federação dos jornalistas que deixam muito a desejar em termos de atuação, no sentido de conquistar espaços e fortalecer a profissão. O profissional precisa de um sindicato forte para defender e valorizar a categoria, que está desprestigiada. Apesar de tudo, cabe ao repórter entender que não é Deus; ser consciente do seu dever, com humildade; e deixar de ser arrogante como se fosse o dono da verdade. O repórter não é juiz para dar veredicto algum dos fatos. A sua função é noticiar e denunciar, sem parcialidade, sem partidarismo.

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