segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O BBB DOS POBRES

Uma casa de alto luxo, esbanjando bacanais e festas paradisíacas com temas internacionais, e uma turma de 14 jovens exibindo a cultura do belo, da aparência e do consumismo, mas com poucos neurônios na cabeça, são mantidas pelos pobres de baixo poder aquisitivo. O prêmio é milionário e o apresentador também. Toda vez que você liga, cai uma moedinha no cofre da casa do seu dono que a programou e a realizou.

Assim é o oitavo BBB - Big Brother Brasil da Rede Globo. Uma imitação do capitalismo americano decadente que teve sucesso no Brasil onde 45 milhões têm que receber o Bolsa Família para não viverem em miséria. A regra fundamental nesse programa é a pessoa do lado de fora, enforcado de dívidas, impostos e prestações, telefonar para decidir quem fica e quem sai da casa.
Sem essa audiência faminta por circo e espetáculo, não tem programa. Os apelos são bem montados com armadilhas, para que a moedinha caia na ratoeira. As pessoas ficam empolgadas com o apresentador, com os clips, com as espiadinhas, pernas, peitos e os bunbuns das moças do lado de fora; com os músculos dos rapazes que só falam besteiras o tempo todo; e enchem a caixinha da emissora, de centavos em centavos.
Ah! a torcida ferve, discute, debate, se descabela e até briga para ver quem no final ganha o prêmio milionário. As transas nos cobertores, ou nos andredons; nas piscinas, ou até debaixo das camas são as maiores atrações e fazem aumentar os telefonemas. Os BBBs são treinados para dizer muitas boubagens, serem ardilosos, e se tiver brigas, melhor ainda.
O domador do circo faz suas artes e malabarismos para divertir a platéia e render muita grana. Senhores! façam suas apostas! Façam suas apostas! Os avisos se sucedem até que é chegada a hora. Na contagem final: milhões de telefonemas, milhões de reais. Todos os dias os pobres têm o direito de dar sua espiadinha, mas quem tem mais dinheiro pode ver coisas explícitas, isto se fizer uma assinatura paga. Tem o BBB aberto e o fechado, mas o que rende mais é o aberto do pobre.
Como o BBB, a maioria dos programas das emissoras de televisão no país são de baixo nível. Cada rede disputa sua audiência, apresentando o sensacionalismo e o espetáculo de exploração dos sentimentos alheios. Todas as concessões foram renovadas automaticamente no final do ano passado, sem discussão pelo Congresso e pela sociedade. Pela Constituição, as emissoras são concessões públicas que devem oferecer cultura, informação e jornalismo de qualidade e conteúdo.
No entanto, as empresas fazem seus jogos de interesse, manipulam a opinião pública ao seu modo e ditam as normas do que entra e sai como notícia. Elas,(as redes) fazem seus próprios regulamentos e basta se falar que tal programa é impróprio para menores de idade, para levantarem pesados ataques de que o Governo está ressuscitando a censura. Os programas mais baixos, a violência e a exploração sexual desmedida entram nos lares sem pedir licença. Se alguém reclamar ou criticar, é encarado como conservador e retrógrado.
A ética jornalística foi banalizada e tem apresentador de programa praticando extorsão contra empresários, como foi denunciado em Salvador. Sobre o assunto, ninguém falou mais nada, e as entidades representativas da classe que têm o papel de proteger a sociedade desses elementos, se calaram. Estamos expostos e vivendo um vale tudo nas redes de televisão.

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