Não dá para engolir essa de racismo praticado pela secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Marília Muricy, contra o ex-superintendente do Procon, Sérgio São Bernardo. Dá para acreditar em perseguição, autoritarismo, ou picuinhas políticas dentro do Governo Jaques Wagner, que está sendo minado por intrigas internas nos comandos. No ano passado, as brigas balançaram a Secretaria de Cultura, entre Márcio Meirelles e os que se acham expoentes intelectuais da Bahia, donos da verdade que querem continuar sendo privilegiados e admirados como sábios.
Bem, não sou nenhum defensor e advogado da secretária Marília Muricy, mesmo porque não a conheço. Mas, pela sua luta em prol dos direitos humanos nos últimos anos, é difícil acreditar que tenha agido com racismo contra o ex-superintendente, exonerado por ela. De uma questão pessoal e política, que não significa opção de cor, Sérgio São Bernardo escancarou e apelou para a versão mais pesada, escandalosa e condenatória que é a prática de racismo, justamente por parte de uma secretária de Direitos Humanos. Sinceramente, não entro nessa. A questão está mais para disputa interna.
As denúncias de racismo na Bahia têm sido tão banalizadas que não acredito mais nelas, a não ser com provas incontestáveis. Estão criando a “indústria do racismo”. Se um movimento ou entidade negra é denunciado por irregularidades em suas administrações, aí lá vem a acusação de crime de racismo. Estão ocorrendo exageros, e é preciso ter muito cuidado com essas acusações sem fundamento. Venho sentindo um tipo de ódio declarado e até prática de racismo da parte de determinados movimentos. Por a pessoa ser contra as cotas para negros nas universidades, não quer dizer que essa pessoa seja racista. Ora, não se pode mais pensar, nem dizer a sua opinião? Está se trilhando por um caminho muito perigoso.
O que dá para perceber nessa briga é que o Sérgio Bernardo quis jogar as entidades e os movimentos negros contra a secretária de Direitos Humanos. O que me espanta mais ainda é que somente agora o Movimento Negro Unificado, o Ceafro e outras entidades vieram a público dizer que a secretária tem sido negligente na sua pasta em defesa dos direitos humanos, apontando o caso dos seqüestros de moradores de Maracangalha, em virtude do sumiço do dinheiro(R$5,6 milhões) que se perdeu na queda de um avião naquele povoado. Por que somente agora estão sendo apontados esses descasos da secretária?
O depoimento do diretor do MNU, Hamilton Borges, de que a entidade acompanhou em silêncio o descaso da Secretaria de Justiça, mas que agora está cansada de tudo isso, é uma confissão de negligência, e que a reação nesse caso do ex-superintendente é meramente política. É obrigação da entidade denunciar a Secretaria quando ocorre um fato dessa natureza, e não somente agora. É muito estranho o que vem acontecendo dentro do atual Governo do PT. Está mais parecendo conspiração interna. Tudo isso me faz lembrar o Governo de Waldir Pires.
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