domingo, 6 de janeiro de 2008

CULTURA DE INTENÇÕES

É o que venho sempre dizendo: Não dá para acreditar na tal democratização dos recursos da Secretaria de Cultura do Estado, anunciada pelo seu secretário Márcio Meirelles. A décima Edição do Encontro Regional de Ternos de Reis de Jequié foi realizada com muitas dificuldades por falta de verbas. Nas conferências regionais realizadas no ano passado se colocou a cultura popular como prioridade. Na verdade, isso só vale para a Capital. Em Jequié, os organizadores e o público tiveram que se contentar com um espetáculo discreto, e olha que o apoio ao Fundo de Cultura foi feito com antecedência.

Também, o projeto de manutenção do Grupo de Reis das Pastorinhas de Jequié, conforme noticiou a Coluna Tempo Presente do jornal A Tarde, foi aprovado há dois meses pela Fundação Cultural, mas não recebeu nenhum centavo. No entanto, a União dos Ternos e Ranchos de Reis, do bairro da Lapinha, recebeu R$30 mil da Fundação. Nada contra os blocos afros do Carnaval, para os quais a Secretaria de Cultura destinou mais de R$2 milhões.

O Festival de Lençóis foi realizado com muitas dificuldades, depois de várias mudanças de datas, justamente devido a falta de apoio do Governo do Estado. Por essas e outras é que tenho minhas dúvidas quanto a promessa de que os recursos para cultura seriam divididos meio a meio entre Salvador e interior.

Você abre os jornais da Capital, liga as emissoras de rádio e televisão e acompanha um monte de eventos, shows, exposições e apresentações de artistas patrocinados pelo Estado. No interior, acontece algum evento cultural esporádico por ano, como a Mostra de Cinema de Vitória da Conquista que contou com mais recursos da iniciativa privada. Do setor público, apenas o nome e o apoio logístico.

Convocam reuniões e conferências para se discutir a cultura, e as pessoas interessadas vão lá dar suas contribuições. Ouve-se discursos políticos rebuscados de citações intelectuais e depois nada acontece. Os participantes dão suas sugestões e fazem suas reivindicações para melhorar a cultura, mas praticamente nada é concretizado.

Estamos cansados de apanhar, de sermos iludidos e enganados. O tempo passa, o povo esquece, e fazem outras reuniões com os mesmos propósitos e intenções. O pior de tudo é que cada um toma seu rumo e não se cobra nada. A democratização dos recursos é para inglês ver. Temos que cobrar essa dívida que nos pertence.

O interior sempre ficou calado, enquanto a turma de Salvador grita nos espaços cedidos pela mídia. Assim aconteceu quando o Teatro XVIII foi fechado e a Casa Jorge Amado e o Museu Costa Pinto ficaram sem dinheiro para os serviços de manutenção. Os grupos carnavalescos e de artistas que sempre se ajoelharam aos pés de ACM continuam recebendo polpudas verbas do Governo.

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