quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CENSURA PÚBLICA

Antes da entrevista, a jornalista pediu ao professor de Comunicação, Felipe Pena, que moderasse nas críticas ao governo Lula, porque poderia ser demitida. A gravação foi feita e o professor manteve as críticas. Quando o programa foi ao ar, ele desapareceu.
O fato faz lembrar a época da ditadura militar, mas é recente e aconteceu na nova TV Brasil, denominada de Pública, que está mais para estatal e oficial, como venho dizendo há tempo e durante a gestação do seu formato. Quer dizer que essa TV Pública veio para disputar espaço com a rede privada e cometer os mesmos erros e pecados contra o bom jornalismo e a liberdade de expressão? Que belo exemplo!
A explicação da direção da TV Brasil, nomeada pelo presidente da República(o primeiro equívoco), de que o episódio ocorreu na passagem da TVE para a "nova emissora", por insegurança do pessoal, não convence. Mas, o professor confessou ter notado, nos últimos meses na TVE, sinais de desagrado quando se tecia críticas ao governo.
Editorial do jornal A Tarde(edição do dia 13/12) diz que TV Pública pressupõe independência de pensamento e de expressão, e cita como exemplo a BBC de Londres. Caso contrário, tende a perfilhar os encapuzados propósitos de uma mídia a serviço da propaganda do Estado. Destaca ainda que a ingerência do Estado induz ao estilo do Pravda(dos comunistas soviéticos) de fazer jornalismo. Sem liberdade de criticar o governo, a mídia será mera porta-voz de uma situação, como quis Fidel Castro - rebate o professor da Unicamp, Roberto Romano.
Que domocracia é essa? Depois chamam os veículos privados de tendenciosos e manipuladores quando levantam críticas ao governo. Que moral é essa? Além de expressar idéias conservadoras, a dita esquerda de hoje tem uma visão unilateral de democracia.
Agora mesmo, o governo está impondo a Transposição do Rio São Francisco contra os argumentos mais sérios e técnicos movidos pela sociedade organizada, inclusive de organismo ligados ao Estado. O início das obras pelo Exército faz lembrar, mais uma vez, a ditadura militar, quando Medici mandou tropas para a abertura da Rodovia Transamazônica.
Existem estudos que comprovam que com a metade dos recursos que serão gastos nesta obra(R$6,6 bilhões), é possível levar água e beneficiar quase 40 milhões de pessoas no Nordeste, ao invés de 12 milhões como estimam. O Atlas do Nordeste aponta ser possível beneficiar 1.356 municípios, no lugar de pouco mais de 300 como estão prevendo. Esta obra é um crime, mas o governo diz que crime é o frade fazer greve de fome. O mal do país, é que a população não se levanta contra os absurdos e a maneira de se fazer política na base da censura e do toma lá, dá cá. Está constatado: a obra só beneficia o grande agronegócio.

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