O assunto pode não ser mais atual como fato jornalístico, mas continua em pauta. Leram a Carta de Feira de Santana referente a II Conferência Estadual de Cultura quando lá estiveram os papas da intelectualidade? Pois é, depois de muita lenga-lenga, definicões teóricas sobre o sexo dos anjos, intenções filosóficas de ações dentro da nova política proposta pelo governo e outras considerações platônicas e socráticas, a Carta recomendou apoio à PEC que estabelece percentuais mínimos de 1 a 2% dos orçamentos federal, estadual e municipal para as pastas da cultura; criar planos e mecanismos de incentivo à cultura e determinar orçamentos. Dela participaram 1.295 pessoas de 269 municípios formados por 26 territórios. Durante as conferências, cerca de 40 mil pessoas discutiram o que é a cultura e o que deve ser feito em seu município e em seu território.
A Carta poderia ter mais objetividade, mas esmerou na política. Esperava que depois de tudo saísse um plano ou programa a ser encarado pelo novo governo, especificamente para o interior. Depois de tantas discussões, apresentações de artistas(700), palavriado das bocas dos mestres da cultura, bajulações e floreios, não passamos dos "primeiramentes" e esquecemos dos "finalmentes", como dizia Dias Gomes na novela Bem Amado.
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