FOTO DE JOSÉ SILVANão vi, nem ouvi da parte do poder público municipal, da Câmara de Vereadores, da UESB, das entidades de classe de Vitória da Conquista, notas ou menções de pêsames sobre o falecimento do geofísico Ruy Bruno Bacelar de Oliveira, que tantos serviços prestou ao município e à região, além do seu conhecimento e cultura que marcaram sua passagem pela terra. É muita ingratidão pelo trabalho que representou Ruy Bruno Bacelar e seu pai para a cidade.
É isso mesmo caro amigo, nosso sistema é perverso e as pessoas sérias e trabalhadoras não são tão lembradas quanto os políticos manipuladores da gente ignara que conquistam o poder com seus truques ilusionistas, ou na base da força como fazem os coronéis. Nesse esquemão maldito, só conta quem ainda está na ativa. Você vale o quanto pesa.
Ao meu amigo Ruy com quem tanto confabulei sobre esses temas e outros dos seres humanos, fica a recordação dessa foto clicada pelas lentes do fotógrafo José Silva, quando mostrava a capa do jornal 'Avante' do seu pai. Seu nome não só está registrado dentro do meu livro "A Imprensa e o Coronelismo", mas dentro de mim. Ao amigo, a minha admiração por não ter nunca fugido da luta, mesmo com suas críticas contra atitudes do poder, e ter se retraído das badalações sociais.
Ao meu amigo, a minha homenagem como pessoa sensível aos problemas sociais e um crítico ferrenho da corrupção, da malandragem, da destruição da natureza e do capitalismo selvagem. Ao meu amigo, que deve estar nesse momento agradecendo essa simples lembrança do meu coração, o meu abraço e de toda natureza do Sertão da Ressaca que está festivo com as águas que caem na terra árida e rachada pela seca de tantos meses.
Como os céus, você também tinha seu regador e molhava essa terra do seu jeito. Como o beija-flor, ou a abelha que produz o mel, você também deixou sua contribuição. Não foi só uma nuvem passageira sem água e esperança. Plantou suas árvores e colheu seus frutos. Deixou ensinamentos e fórmulas. Deixou marcas por onde passou com seus sapatos e sandálias. Estendeu as mãos por várias vezes para realizar o benefício e se tornou imortal.
Só não gostei de ter partido muito cedo e me deixado aqui para tomar conta da minha solidão interior. Podia, pelo menos, ter se rebelado contra o destino de todos nós, e dado mais um tempo, ou me avisado da sua partida para fazermos uma bela homenagem entre amigos. Podia ter dado um não e seguido em frente. Ter enganado a quem a vida toda nos engana.
Um comentário:
É com imenso pesar que tomei conhecimento do falecimento do Dr. Ruy Bacelar.
Quando transbordava entusiasmo pelo meu ingresso na faculdade de Agronomia da UFMG, no ano de 2001, tive a oportunidade de conhece-lo em uma de minhas viagens para Vitória da Conquista.
Precisava conhecer o autor do livro sobre Caldeirão e Pau-de-colher.
Conversamos sobre a luta dos sertanejos, da necessidade de construirmos cisternas e ajudarmos os camponeses em sua luta diária.
Falamos das possibilidades de ele visitar o Norte de Minas Gerais e auxiliar os camponeses com seus conhecimentos geofísicos.
Hoje, estou prestes a me formar como jornalista. Devo muito da minha dedicação ao povo pobre do campo e às letras ao Dr. Ruy Bruno, que tanto me cativou com sua obra, sua simplicidade e seu trabalho.
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