Como está na moda, bem que o Ministério da Cultura poderia decretar o tombamento da cultura da corrupção, da cultura da malandragem, da esperteza dos brasileiros que não estão nem aí para a vida de seus próprios conterrâneos e colocam solventes nos combustíveis e soda cáustica no leite. Poderia tombar o comodismo do povo, a alienação da estudantada jovem e o peleguismo da CUT. Poderia tombar como patrimônio nacional, a contradição entre o que se pregava antes e o que se pratica ou se deixa de fazer quando se está no poder. Poderia tombar a falta de ética e a inversão de valores que atingiu o país. Poderia tombar o baixo nível de ensino na educação e o besteirol das letras e das "composições" do axe music baiano. Poderia tombar também os caras-de-pau da política e a infestação de gafanhotos em Brasília. Poderia tombar as cestas básicas e os carros-pipa da seca que castiga a caatinga e faz cambalear de fome os sertanejos. Poderia tombar ainda as promessas não cumpridas.
Martin Luther King dizia que o que mais preocupa não é a corrupção, o mau-caráter, ou o cinismo, mas o silêncio dos bons. Em toda história do Brasil, nunca vi um povo tão dominado, acomodado e silencioso. Voltado para o consumismo do capitalismo, para a aparência e para a cultura da estética, nada abala, nem se mobiliza contra as corrupções e desmandos.
O Senado vira uma casa de cafajestes e gangsters, mas o povo “bovino” segue na trilha do curral. Contra os escândalos e a violência, apenas algumas passeatas de "propaganda de alvejante". Todos só querem ganhar, competir de qualquer jeito, ter e cercar suas casas de arame farpado, correntes e dispositivos elétricos.
Na competição, vale tudo e, como no poder, os fins justificam os meios. O que mais está me deixando triste e depressivo neste país é justamente o povo, e dele fazer parte. Está tudo dominado e entorpecido. O que mais existe hoje no Brasil é protesto de internet porque é passa-tempo, divertido e não precisa sair de casa para ir às ruas se manifestar. Nada de botar a cara pra fora.
Nas décadas de 60 e 70 se liam livros. Hoje o povo não sabe nem ler televisão. Poucos sabem e nem querem saber o que aconteceu durante a ditadura militar quando milhares foram torturados, tiveram seus ossos esmagados e espumaram diante dos choques elétricos. Sinto vergonha quando vejo e leio notícias da Argentina, Uruguai e Chile onde o judiciário e os governos estão processando e prendendo os torturadores das ditaduras. Aqui, queimam arquivos sigilosos dos tempos de chumbo e tudo fica por isso mesmo. Nossa história está sendo apagada e não se faz nada. Os militares ficam furiosos quando se lança um livro sobre a memória e a verdade do regime. Nas escolas não se aprende mais as lições, nem se ensina o caminho da construção. A pena não registra mais nossa memória, e das crianças arrancam seus sonhos.
É de se ter vergonha de ser brasileiro. Não temos mais representação sindical para defender nossos interesses e a União Nacional dos Estudantes virou um clube de alienados que só fala em coisas domésticas. A CUT não se manifesta e dentro dela engorda a elite sindical, cevada pelas
benesses do governo.
Este não é o meu povo, não é o meu país. Devíamos nos envergonhar. Ninguém quer saber o que está acontecendo. Nossa imagem é tão desgastada que o próprio brasileiro não confia no outro quando se está no exterior. Não teme o estrangeiro, mas se fica de olho bem aberto quando pinta outro brasileiro na área.
Pode ter mais 10 mandatos de Lula, fecharem o Congresso que ninguém se abala e nem sae de suas casas para agir, a não ser para brigar pelo seu time de futebool, pelo carnaval que vai passar e pela noitada num botequim de muita cachaça e cerveja. Lá se vai a carneirada para a imolação. Nossa dignidade está morrendo lentamente, corroída pela ganância desenfreada e pela malandragem do levar vantagem em tudo, ou do toma lá, dá cá. Fazemos o mesmo no trânsito e nas repartições públicas. Não temos mais moral para reclamar. Maldito o sério e o honesto.
Estamos mais preocupados com o politicamente correto, do que com a escória parida pela burguesia hipócrita e safada. Estamos mais preocupados no que escrevemos e dizemos do que com os políticos que carregam dólares nas cuecas. Por isso que eles já deram uma banana para a tal de opinião pública que nem mais existe mais no Brasil.
A nossa briga gente, não é com a mídia, mas com a mentira de uma democracia que não existe. Nossa briga é contra eles que nos enganam, com os caras-de-pau que tudo fazem para se manter em seus palácios. Qualquer protesto que se faça é visto como de linha conservadora e os ditos de esquerda justificam até roubos e quadrilhas.
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