
Com relação aos últimos seis ou sete anos quando uma liminar da Justiça determinou o tratamento dos esgotos nas cidades cortadas pelo rio, o coordenador do Modera, Aderbaldo Silveira, ou “Deba”, afirmou que a situação piorou. O Rio do Antônio é vítima da degradação a partir da década de 40, “e de lá para cá não se teve mais respeito”. Segundo ele, antes disso existia a agricultura de subsistência em suas margens através do plantio de cana-de-açúcar que foi substituída pela pecuária, exigindo maiores extensões de desmatamento. Essa atividade, na sua opinião, concorreu para a verdadeira degradação do rio e, consequentemente, o assoreamento. Outro fator, de acordo com “Deba”, que contribuiu para sua degradação, foi o desmatamento provocado pela estrada de ferro cujos trens a vapor consumiam uma quantidade enorme de madeira. Na atualidade, as mais de 200 cerâmicas da região que consomem lenha em seus fornos agravam o quadro de degradação.
Com os tempos, as cidades ribeirinhas cresceram e aí veio o lançamento de esgotos, como aconteceu em Caculé, uma das que mais prosperou em toda região. “Em Caculé, todo seu esgoto é jogado in natura no rio” – destacou. Quanto a cidade de Rio do Antônio, para “Deba”, menos mal porque os esgotos são jogados na Lagoa do Cunha que já morreu. Segundo o coordenador do Movimento, o que está mais matando o rio são esgotos e o problema ainda não foi resolvido porque o tratamento demanda altos recursos. Só com relação ao tratamento dos esgotos na cidade do Rio do Antônio se gastaria mais de R$1 milhão e R$42 milhões em Brumado. Provocado pelo Modera, há sete anos uma ação civil pública levou a Justiça a dar uma sentença obrigando o tratamento dos esgotos. No entanto, o juiz foi salomônico porque não houve uma punição maior para os municípios, conforme avalia “Deba”, acrescentando que isso concorreu para que as prefeituras continuassem poluindo o rio.
A extração de areia é outra agressão contra o rio, e a ação é cada vez mais acentuada como forma de renda das famílias pobres. Uma caçamba de areia está custando R$150,00, “uma verdadeira fábrica de dinheiro”, destacou o coordenador do Movimento, esclarecendo que existe areia porque houve o desmatamento. Citou também que a areia despejada através da barragem do Trovisco, em Caculé, vem descendo e matando lentamente o rio. A barragem que abastece a cidade do Rio de Antônio e parte da zona rural, por exemplo, está assoreada pela metade.
Para “Deba”, a irrigação agrícola de subsistência através do Rio do Antônio é pequena e não chega a afetar o consumo humano que é prioritário. Cada proprietário ribeirinho, de acordo com ele, irriga de um a dois hectares de terra nas lavouras de feijão e milho, sobressaindo a horticultura na região da Capivara, em Caculé.
No início, o Rio do Antônio era perene e passou a ser temporário, deixando de existir totalmente durante as épocas de seca. Com a construção da barragem de Trovisco, em Caculé, nos anos 90, o rio voltou a ser perene. No entanto, se Trovisco não estivesse soltando água, o rio estaria seco. “Se o Trovisco fechar suas comportas, em menos de 30 dias o rio pára de correr”.
Para revitalizar o rio, o Modera vem realizando uma campanha de recomposição das matas ciliares, com apoio da Magnesita, de Brumado, e da INB-Indústrias Nucleares do Brasil, em Caetité. Mesmo assim, “Deba” lamenta a tímida cooperação por parte das escolas da região. Para ele, a recuperação das matas ciliares com o plantio de milhões de árvores é a melhor forma de salvar o rio da degradação, começando pelo rio São Domingos no distrito de Jurema, em Licínio de Almeida. Toda bacia abrange os municípios de Licínio de Almeida, Jacaraci, Caculé, parte de Ibiassucê, Guajeru, Rio do Antônio, Malhada de Pedras e Brumado, que é a maior cidade. Para reflorestar suas áreas, o Modera está solicitando ajuda até da empresa Vale do Rio Doce, além das prefeituras, mas divergências políticas, segundo “Deba”, tem dificultado o trabalho de socorro ao rio.
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