quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O SERTÃO VAI VIRAR DESERTO


A movimentação intensa de caminhões de madeira e carvão para as cerâmicas da região sudoeste e siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo; a fumaça das queimadas; o transporte de água em carros-de-boi, por carros-pipa, homens, mulheres e crianças; o calor forte da seca que esvaziou barragens, tanques, cacimbas e cisternas; e gente que abandonou suas casas e partiu para outros estados, dão a impressão de que o sertão vai se acabar e virar deserto. È uma explosão de ações e agressões contra a natureza, causando um impacto de destruição, sem que os poderes públicos tomem providências.
O quadro de degradação do meio ambiente, misturada com a seca que castiga o homem e animais do campo, pode ser visto em todo sertão do sudoeste, especialmente nos municípios de Anagé, Aracatu, Brumado, Caetité, Malhada de Pedras, Rio do Antônio, Caculé, Guanambi, Igaporã, Tanhaçu e Livramento de Nossa Senhora. Ao deixar para trás Vitória da Conquista pela BA-262 com destino a Tanhaçu, Brumado, Guanambi ou Livramento de Nossa Senhora, após percorrer 20 quilômetros, na boca da caatinga, predominam a paisagem cinzenta da seca, a fumaça das queimadas onde a vista alcança e pessoas sapecadas pelo sol às margens da pista arrancando capim seco para dar comida aos animais, ou o ranger de carros-de-boi no chão escaldante, transportando tonéis de água barrenta numa distância de até 10 quilômetros.

Nenhum comentário: