O capitalismo selvagem, corrupto, coronelista e consumista pariu a miséria e com o tempo arrotou a cultura medíocre que temos hoje. Comungo e concordo com os comentários feitos por André Setaro, crítico de cinema, a respeito da decadência cultural baiana, em entrevista publicada no Caderno 2 de A Tarde, edição do dia 8/09/07. Estão chamando ele de inimigo do cinema baiano só porque disse a verdade. André chamou os cineastas baianos de mendigos da boa vontade do Estado e quase apanhou. Em sua entrevista, afirmou que a Bahia de hoje vive uma miséria cultural, destacando que há 30 anos havia um requinte cultural. Nota-se que ele se refere aos movimentos da capital, que antigamente era chamada de Bahia. Agora imagina como anda a cultura no interior. Suas tradições e história estão morrendo.
André Setaro solta o verbo e diz que hoje existe uma extrema mediocridade em tudo, no teatro, nas artes plásticas, na literatura e no cinema. "As pessoas que não viveram aquele período não têm sistema de referência". Para ele, existe muita porcaria em exposições e peças porque não existe uma crítica de arte que abranja o cinema, a literatura e as artes plásticas. Lamenta o corporativismo e a bajulação que existem em todos os setores, especialmente no cinema. " O que existe é uma crítica "baba-ovo". André cita que existe um cineasta no poder que quando chega num barzinho do Rio Vermelho se comporta como se fosse um guru. Ai a cambada diz: chegou fulano e tome-lhe reverências e beijinhos. "O profissional baiano tem que fazer uma profissão de fé de humildade".
Não é só no cinema, André. Na literatura acontece o mesmo. O que existe hoje é um grupinho encrostado na capital que se considera verdadeiros e únicos Nerudas, Saramagos, Gabriel Garcia Marquez e Camões. Eles pensam que são eleitos divinos como os imperadores. Arrotam sabedoria e academicismo. Mas, não conseguem falar a linguagem simples, clara e popular. Procuram ser difíceis e mal alcançam algumas bibliotecas. Mesmo assim são aquinhoados porque são amigos do rei. No entanto, o rei apenas financia a produção e abandona os volumes num canto qualquer como fez com o livro de José Umberto sobre o precursor do cinema Walter da Silveira. O trabalho foi bancado pelo governo passado de Paulo Souto, só que até hoje não houve um lançamento oficial do livro.
É triste o papel que estão dando à nossa cultura, infestada de coisas que não prestam, seja nas letras, nas músicas e no cinema. Está certo o crítico André Setaro, mas, pior ainda se for feita uma crítica sobre o abandono da cultura no interior. O governo tem que definir logo sua política de cultura para o interior, se é que tem. Não adiante dizer que vai dividir os recursos ao meio entre a capital e o interior. Como na política de desenvolvimento econômico diferenciada para o Nordeste, assim deve ser feito com relação a cultura no interior.
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