quinta-feira, 20 de setembro de 2007

CARVOARIAS DESTRÓEM O SERTÃO




Fotos do jornalista da revista Integração, João Martins




Como no tráfico de drogas onde impera a lei do silêncio e as quadrilhas mandam na área, assim acontece na indústria e na comercialização do carvão na região sudoeste, vendido para as siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo. Mais de cem caminhões carregados de carvão cortam a região sudoeste todos os dias, passando, especialmente, pelos municípios de Riacho de Santana, Igaporã, Guanambi, Caetité, Brumado, Pindai e Urandi. É uma bagaceira o que estão fazendo com a vegetação nativa da região, sem que as autoridades tomem providências – desabafou um funcionário de uma indústria, em Caetité, acrescentando que a maioria transporta o carvão com autorizações falsificadas. A sua indignação e revolta estampadas nas queixas, é de que não existe controle, e o Ibama que deveria fiscalizar, faz vistas grosas, na maioria dos casos porque não tem recursos humanos e equipamentos para cobrir toda região.
Nos finais de semana é muito comum se ver vários caminhões de carvão parados nos postos de combustíveis das cidades, principalmente Guanambi, na saída para Pindai. Os motoristas ficam esperando pelas autorizações de transporte florestal esquentadas que vêm de Riacho de Santana e até de Barreiras. Existe uma mulher em Riacho de Santana que comanda o comércio e esteve fora do mercado por um determinado tempo depois de aperto da fiscalização. O assunto tem sido debatido em encontros, inclusive de jornalistas, com a presença de representantes de órgãos do governo estadual, mas a situação só fez piorar nos últimos anos. Por trás desse comércio existe uma máfia perigosa que está disposta a tudo para defender o negócio.
A imprensa da região não denuncia o desmatamento desordenado de árvores nativas para a queima em carvoarias porque não tem proteção e teme represálias e ameaças pesadas, inclusive de morte. A imprensa da capital, também pouco tem noticiado sobre o assunto. Por sua vez, as pessoas abordadas não querem falar pelo mesmo motivo, e a destruição continua. O processo das carvoarias se acelera nas épocas de seca como a que está ocorrendo no sudoeste baiano. Como fachada, existe uma Associação de Reflorestamento do Sudoeste que não cumpre o que determina a lei. Por falta de um maior controle dos órgãos ambientais, só poucos fazem o reflorestamento.
Além do carvão extraído das árvores como aroeiras, casca-fina, umburanas e outras, as cerâmicas também fazem sua parte na degradação do meio ambiente com a queima de lenha em seus fornos. Os caminhões de carvão e de lenha se cruzam numa desenfreada destruição da natureza. Só na região de Caculé, Ibiassucê, e Caetité são mais de 200 cerâmicas que utilizam a lenha para fabricar seus produtos. Num debate em Caetité, um senhor se levantou para denunciar o fato e quase que apanha dos ceramistas. Sem trabalho, devido a seca que fez perder as lavouras e deixar o homem sem trabalho, tem gente arrancando raízes para transformar em carvão, conforme denunciou a presidente da Associação dos Pequenos Agricultores de Riacho da Vaca, em Caetité, Elenilde Cardoso.

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