terça-feira, 28 de agosto de 2007

UM ESPÍRITO FECHADO


Nas décadas de 70 e 80 quando ainda se dava mais valor á cultura e se lia livros de bons autores, Vitória da Conquista chegou a ter seis cinemas. Mas, os tempos foram mudando e se passou a ler mais televisão, internet e vídeos de DVD. As cabeças ficaram menos pensantes e os valores passaram a ser outros de cunho material, como a aparência e a cultura da estética do corpo. As artes foram cedendo lugar e o cinema foi uma das vítimas assassinadas pelo nosso desprezo e indiferença. Conquista já teve os cines Ritz, Glória, Conquista, Eldorado, Riviera, Trianon e, por último, o Madrigal, cuja chama se apagou no final do ano passado e não mais voltou. O Glória é hoje a Igreja Universal, O Eldorado funcionava na Presidente Dutra, O Ritz é a Rádio Clube, O Conquista e Riviera, loja Insinuante, o Trianon ficava na Feirinha e hoje é a Universal. Alguém diria que os tempos mudaram. Coisas da tecnologia e da modernização. Só que em nome do progresso, nossa cultura vem sendo abatida e os pontos fechados sem o renascimento de outras expressões linguísticas em seu lugar.

O Cine Madrigal fechou em 2005, mas o Ferreira que cuidava dele com muita estima e luta, conseguiu reabrí-lo. Poucos estiveram ao seu lado. Cerca de dois anos depois, o Cine fechou definitivamente. O Ferreira foi o "último dos moicanos", mas foi vencido. Contra o fechamento, poucas manifestações de protesto. Uma delas foi do ator Gildásio Leite, como flagrou a lente do fotógrafo José Carlos D´Almeida. Por ironia, o último filme a passar foi "Corpo Fechado". Foi fechado também um espírito que respirava arte e cultura. Na época, há sete ou oito meses, representantes da comunidade, entidades e instituições chegaram a opinar que dalí ressurgiria um centro cultural para a prática de teatro, dança e shows musicais. E olha que a cidade de quase 300 mil habitantes tem uma universidade estadual e mais três faculdades particulares. É considerada pólo comercial, educacional e de saúde da região.

Até agora nada aconteceu e o Cine Madrigal continua fechado. Não se sabe que fim levarão suas instalações e equipamentos. Os comerciantes daquele quarteirão entre as ruas Ernesto Dantas e Sete de Setembro, como Edmundo Quadros, da Edpeças, lamentam a situação com a queda do movimento e perda da valorização da área. As pessoas nem comentam mais sobre o assunto e não se cobra uma solução com relação às propostas feitas quando do fechamento do cinema. Como consolo, o shopping Conquista Sul abriu sua sala de cinema que é pouco frequentado por falta de divulgação dos filmes, sem contar a distância.

Mas, não foi só o fechamento do Cine Madrigal que abalou o centro comercial. O episódio agravou um quadro de decadência que já vem se arrastando com a falta de revitalização do Teatro Carlos Jeovah, do Mercado de Artesanato e outros equipamentos daquela área. Quem visita o local em torno do Teatro, a impressão que se tem é de uma favela com barracas em estado deplorável. A imagem não é nada boa para a uma cidade como Conquista, especialmente para o visitante de fora.

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