segunda-feira, 27 de agosto de 2007

SAUDADES DAQUELE TEMPO

Vendo as redações dos grandes jornais de hoje, todo limpinho e sem aquela características "zueira" e brincadeiras entre colegas, mais parecendo escritórios de empresas, agências bancárias ou coisa semelhante, sinto saudades daquele tempo do téc-téc-téc-téc da máquina de escrever e o retorno do cilindro no final da margem direita do papel. Quando o lead não se encaixava, se arrancava com força e raiva a lauda da máquina e amassava bem amassado o papel na mão. Depois, era só jogar o papel amassado na cesta de lixo e se começava tudo de novo. Muitos engraçadinhos jogavam aquele bolo amassado na cabeça do colega e lá ficava a sujeira na redação. E ainda tinha aquele perturbado que fazia rolar o cilindro, tirando o papel da margem. No fim de cada turno, lá vinha o boy, ou a fachineira para fazer a limpeza. Logo, logo, estava tudo sujo novamente. E as brincadeiras de se colar frases escritas num pedaço de papel nas costas dos outros? E aquela mania de fazer esporas de papel e pregar com durex atrás dos sapatos dos colegas e até de visitas ilustres quando davam entrevistas? Nem o diretor e o redator-chefe escapavam. Lembro de uma vez que desfilei na chique Rua Chile de esporas. Era aquela gozação e só se descobria quando um chamava o outro de vaqueiro, ou fazendeiro.
Ainda se respirava um jornalismo romântico, e depois de fechar as páginas, íamos para o botequim mais próximo falar de política, cultura, economia e fofocas. Noites memoráveis e etílicas aquelas. Hoje, temos redações comportadas com ar de escritórios movidos a uma tecnologia informatizada e fria. Os colegas pouco se falam e até o foca(repórter iniciante) passa despercebido dos trotes, como o de levar um bilhete para o chefe do setor industrial, mandando que lhe entregasse a calandra ou rotativa, maquina pesada de muitas toneladas. O chefe olhava, ria e apontava a máquina para o foca, mandando que ele a levasse.
A impressão era que o jornalismo tinha mais calor humano e se fazia um trabalho com mais tesão, nem tanto maquinal com agora. Repórter hoje passa o tempo fuçando a internet e, muitas vezes, faz a matéria da redação mesmo. Não se presta mais a "arregaçar as mangas" e colocar os pés na rua, ou ir até o local da sua fonte onde está a matéria-prima da notícia. Saudades daquele tempo das redações com cara de jornalistas.

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