sexta-feira, 3 de agosto de 2007

O SHOW TEM SEUS LIMITES

É preciso muito cuidado, senso crítico e coerência quando se generaliza as críticas contra a imprensa, especialmente por parte do PT que em tudo vê uma intenção de desestruturar o Governo Lula. Sabemos que determinados veículos da grande mídia têm espetacularizado a informação e até com tendência. O sensacionalismo da notícia tem predominado em ocasiões que requer limites ao show, como no caso do acidente aéreo(fato mais recente). No entanto, a imprensa como um todo tem prestado bons serviços. Ela está aí para divulgar, denunciar e mostrar os fatos e não se calar e ser omissa. Pesquisas recentes colocam a imprensa como uma das instituições de maior credibilidade pela população, como também o presidente Lula foi eleito pelo povo. Mas, se o presidente foi vaiado no Maracanã, a imprensa tem por obrigação noticiar. É preciso acabar com essa história de que tudo hoje que acontece no pais é culpa da imprensa. O Congresso quis aplicar a Lei da Mordaça só porque a imprensa fêz seu papel de denunciar as maracutais dos políticos. Não concordo totalmente quando em artigo num grande jornal da capital um membro do PT disse que toda imprensa é partidarizada. Acho essas investidas perigosas, e o próprio presidente Lula tem defendido a liberdade de expressão.
E o que dizer da Carta Capital? Pode ser também cunhada de partidária? Logo após as eleições do ano passado, fiquei assustado com reações agressivas de membros do governo contra setores da imprensa. Não vamos ressucitar o tempo dos coronéis quando mandavam matar jornalistas ou fazer engolir o que escreviam. A imprensa que prima pela espetacularização deve ser condenada e repudiada por outras formas, mas não à generalização.
Temos que reconhecer as deficiências de gerenciamento do Governo em determinados setores da vida brasileira, como no sistema da aviação no geral. Não importa agora se vem de muitos anos. No caso mais recente do acidente aéreo foi trapalhada por todos os lados, inclusive da imprensa. O desrespeito às vítimas foi flagrante, a começar pela condecoração de diretores da Anac(Agência Nacional de Aviação Civil), expressões obnscenas de gente do governo, inclusive da mulher do charuto numa festa depois da tragédia, ausência de autoridades do governo no local, entre outras. Pelo lado da imprensa, houve nas primeiras horas, o chamado efeito manada. O primeirio culpado apontado foi o Governo, tendo como causa a pista que estava sem as ranhuras. Depois apareceu o reverso pinado da aeronave, poucas responsabilidades da empresa TAM, e mais na falha do piloto morto, poupando as autoridades. Não sou especialista em aeronáutica, mas nesse caso acho que a ganância da TAM esteve acima da segurança humana. Não entendo como se deixa voar uma aeronave com defeito, no caso o reverso. É como viajar com um carro com problemas no motor. Aí o mecânico diz: pode fazer a viagem, depois faz o conserto. Não entra em minha cabeça que um piloto de 20 anos de experiência vá cometer erros básicos de aterrissagem, como colocar as manetes em posições diferentes. O piloto morreu e não pode se defender. Já a TAM foi poupada. De 1996 a 2007 seus aviões apresentaram dez acidentes, inclusive com morte de seu dono. Não é a arrogância do ministro Nelson Jobim, detonando Waldir Pires, que vai solucionar a crise no sistema. Como no caso da Escola de Base, em São Paulo, que condenaram um japonês diretor, dessa vez colocaram a culpa num morto.Como disse Luis Nassif, se referindo à imprensa: "Tem que haver limites para o show".

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