sexta-feira, 3 de agosto de 2007

DISCRIMINAÇÃO NO MERCADO

Poucas empresas de Vitória da Conquista com mais de 100 empregados respeitam o Decreto-Lei do governo federal que determina a abertura de cotas de trabalho para portadores de deficiência. No caso da Apae(Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), somente a Dilly Calçados, Posto Guanabara e a Stefanes Confecções empregam alunos da instituição que há cinco anos vem tentando convencer os empresários a absorver jovens portadores de deficiência no mercado de trabalho. As dificuldades têm sido enormes e os donos das empresas sempre alegam que falta qualificação nesses alunos, mas no fundo existe mesmo é discriminação e medo da experiência não dar certo. Outros argumentam que não dispõem de gente especializada para acompanhar os portadores durante os serviços. No entanto, a Dilly que emprega quatro alunos com carteira assinada, segundo um dos seus diretores, vem obtendo bons resultados e até superam as expectativas. Esses funcionários apresentam um desempenho, muitas vezes, melhor que os outros. O Posto Guanabara também emprega seis deles nas áreas de apoio de seus estabelecimentos. Aqui em Conquista, a maioria das empresas não tem ainda atentado para a questão da responsabilidade social e visa tão somente o capital.
Numa reunião da diretoria da Apae com os pais dos alunos deu para se perceber o entusiasmo deles quando se falou no projeto de inserção de alunos no mercado. Não era para menos, tendo em vista que as famílias desses alunos são carentes e de poder aquisitivo baixo, fora a realização do pai em ver um filho trabalhando. A partir de fatos locais como o nosso de Conquista é que concluimos que a exclusão social no Brasil ainda é gritante e vergonhosa. As outras instituições que cuidam de pessoas portadoras de deficiência devem sentir esse mesmo problema da discriminação, sem contar a dificuldade que tem o deficiente visual em transitar pela cidade. Responsabilidade social não se resume em fazer doações de dinheiro e bens para as instituições. É bem mais dignificante dar um emprego.

Um comentário:

Shirley de Queiroz disse...

As empresas visam o lucro, mas essa é uma visão curta. O simples fato de CUMPRIR A LEI, e não discriminar, já tornaria a imagem da empresa bem mais simpática aos olhos dos consumidores. Uma ação como essa acaba se revertendo em benefício para a própria empresa. O nome disso é investimento...