segunda-feira, 27 de agosto de 2007

AS RIQUEZAS DO SUDOESTE

O Brasil está entre os maiores exportadores de mármore e granito do mundo, ficando atrás apenas da Espanha e África do Sul. O mercado nessa área movimenta mais de três bilhões de dólares por ano(cerca de 800 milhões só no comércio de blocos). No Brasil existem mais de 200 empresas ligadas a mármore e granito, distribuídas em 12 estados, a maioria no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o geofísico Rui Bruno Bacelar, as regiões sul e sudoeste da Bahia são bastante ricas em mármore e granito, com centenas de jazidas de todas as cores, desde o granito Azul Bahia que é um dos mais raros e caros, até os mais comuns e comerciais.
Rui Bacelar revela que a Bahia é o único lugar do mundo onde o granito Azul Bahia é encontrado. Portanto, não há concorrentes internacionais. O mineral está presente principalmente no sul do Estado em intrusões alcalinas. Salvador Brito, explica que o granito Azul Bahia é um dos principais produtos de sua pedreira em Potiraguá. O Granito preto é outra variedade rara encontrada na Bahia, e aparece também nos estados de Espírito Santo e Minas Gerais. O metro cúbico custa acima de 500 dólares.
É provável que hoje existam mais de 20 mil requerimentos junto ao governo do Estado, para a exploração de granito. Bacelar acredita em boas perspectivas para a mineração. “É um mercado que vem crescendo anualmente de maneira extraordinária”. O preço do produto no mercado internacional está estipulado entre 100 e 200 dólares por metro cúbico(blocos de melhor qualidade). O geofísico explica que os custos de produção variam de acordo com as dificuldades operacionais, como o transporte dos pesados blocos nas estradas brasileiras.
Na sua avaliação, há grandes oportunidades de gerar progresso, renda e emprego através da mineração. No sudoeste existem grandes jazidas em Itarantim, Macaraní, Potiraguá, Bom Jesus da Lapa e Guanambi. “A exploração de pedras ornamentais pode substituir a agricultura que fracassou em muitos casos. Fala-se muito na implantação de eucaliptos, mas pouco sobre mineração, que está muito mais ao nosso alcance e traria resultados mais imediatos”. Ele diz que falta uma política local e estadual de incentivo para esse tipo de atividade. “O mercado de pedras ornamentais é uma grande opção para o sudoeste da Bahia”, conclui.
Os bancos não oferecem financiamento para atividades de mineração. Salvador Brito acredita que o granito e o mármore ainda são pouco explorados na região sudoeste, apesar de extrair 300 m³ por mês, o equivalente a mil toneladas. Na Bahia existem poucas indústrias de beneficiamento de mármore e granito. As mais próximas da região sudoeste estão em Teixeira de Freitas e Feira de Santana.
O mercado internacional de granito é amplamente dominado pela Itália, tanto em volume de produção como em comercialização e status. Porém, a Itália não possui grandes jazidas. É uma importadora que beneficia o produto bruto e exporta o acabado. Hoje, a China é o principal comprador das pedras brasileiras. Espanha e Itália também estão entre os mais importantes compradores de blocos, ao lado dos Estados Unidos que só compram o produto em chapas.
O Brasil ainda está atrasado na produção de produtos acabados e em questões tecnológicas. Os grandes problemas enfrentados pelos brasileiros são, a defasagem tecnológica e falta de capacidade de gerenciamento. A maior parte dos teares são antigos e tem baixa capacidade de produção.

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