domingo, 8 de julho de 2007

QUALQUER UM PODE

O estudante passa quatro anos fazendo a faculdade de Jornalismo, recebe o diploma e aí descobre que qualquer um pode ser jornalista. É que há mais de cinco anos vem rolando na Justiça a questão da obrigatoriedade ou não do diploma de jornalismo. Lembram da juíza de São Paulo que saiu com uma liminar onde suspendia a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista? O nome dela é Karla Rischter(não sei se é assim que se escreve), ou pode ser com C, mas isso não importa. O lobie(nome em moda e carreira mais cobiçada no Brasil) da grande imprensa foi mais forte e derrubou a regulamentação de 1979. Hoje a ação está no Supremo e não se tem notícia de como vai ficar. Nossa categoria só tem diploma de faz de conta. Pensem bem: não é um estelionato das faculdades para com os estudantes de jornalismo? Aliás, nosso país já é um estelionato desde quando aqui desembarcou Pedro Alves Cabral.
Só na Bahia existem mais de 20 cursos com habilitação em Jornalismo, despejando por ano 800 a mil profissionais que se deparam com um mercado saturado que está nas mãos dos antigos formados, os provisionados e os que nem são. Aqui em Conquista, por exemplo, os provisionados estão com seus registros vencidos e não podem renovar porque já existe um curso de Jornalismo. O Ministério do Trabalho não concede a renovação, e o Sindicato e a Fenaj não dão uma solução para o problema. Esse pessoal continua exercendo a profissão e não existe lei que proiba porque o diploma está sub júdice. Existe outro pessoal que nunca teve provisionamento, e ainda os tais precários que o MT deu quando a liminar suspendeu a obrigatoriedade do diploma. Como tudo nesse país, não é esquisito e contraditório? Aí, o estudante passa quatro anos na faculdade e depois fica vagando porque qualquer um pode ocupar a função.
O mais inquietante de tudo é que não se discute a questão e os estudantes não se mobilizam para defender seus direitos depois de tantos sacrifícios numa escola superior, e muitas vezes paga. Enquanto isso, surgem mais faculdades de Jornalismo, só porque é bonito, glamuroso e charmoso. Muitos sonham em ser um locutor ou um correspondente da Globo. É o basurdo dos absurdos, e o MEC é irresponsável. Aliás, não só. É duro você ser diplomado e depois ter de concorrer com uma pesoa que nem tem o nível superior, ou terceiro grau, se assim for politicamente mais correto. Aliás, correto neste país são os políticos continuarem roubando e o Senado ter virado um clube de amigos contra o povo. Quando criaram o curso de Jornalismo na UESB, disseram que tinha mercado, mas cadê o tal do mercado? Só poucos conseguem algumas vagas nas emissoras de TVs e em algumas rádios, com baixos salários. A mídia impressa em Conquista se resume a dois periódicos que, por falta de verbas publicitárias, não têm condições de absorver os profissionais e pagar um salário digno. Não existe um diário numa cidade de quase 300 mil habitantes. As prefeituras podiam montar um serviço de assessorias com profissionais, mas, muitas preferem ficar sem elas, ou quando têm uma assessoria, é ocupada por um amigo do prefeito que entende mais de medicina do que de comunicação. Por sua vez, os empresários da região ainda não têm a mentalidade de estruturar departamentos de comunicação para atender seus públicos interno e externo. Cabe um movimento entre a própria UESB com o Colegiado do curso de Jornalismo, os estudantes, os empresários, os prefeitos e os órgãos públicos e privados da região para mudar esse quadro. Sem opção, muitos jovens estão indo até para o exterior. É muito triste o que vem ocrrendo.

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