O abuso sexual contra crianças e adolescentes com deficiência mental vai ser combatido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Vitória da Conquista(APAE) através do Projeto “Não á Violência Sexual”, com patrocínio da Petrobrás. Na primeira etapa, o programa está contemplando 80 crianças e adolescentes, bem como suas famílias, por meio da realização de oficinas de orientação sexual e vivência corporal, atendimento psicológico e de assistência social.
O projeto pioneiro partiu da constatação de que estudos demonstram que crianças e adolescentes com deficiência mental estão expostos a maiores condições de risco, tornando-se vítimas fáceis do autor do abuso ou da exploração sexual, que se vale dos laços de confiança facilmente criados, da inocência e falta de educação sexual dos mesmos. De acordo com a APAE, muitos deficientes mentais têm em comum com os normais, os tabus, o sentimento de culpa e o desejo de expressão sexual.
No entanto, são pessoas vulneráveis e muitas vezes incapazes de compreender a fronteira entre uma manifestação de carinho e abuso. Sabendo da importância que a orientação afetivo-sexual representa na vida do adolescente e da dificuldade encontrada por instituições profissionais em lidar com o problema, a APAE/Conquista resolveu criar um espaço que pudesse atender os próprios alunos com histórico de violência, ampliando este atendimento às crianças e adolescentes deficientes da comunidade que estão em situação de risco social.
Espaço educacional preventivo
O projeto “Não á Violência Sexual”, conforme parecer apresentado à Petrobrás, será um espaço educacional preventivo e de atendimento psicossocial onde serão propiciadas vivências nas diferentes modalidades, focando o desenvolvimento harmonioso do corpo, mente e das emoções do aluno e da família. A APAE de Conquista se integrará a outros órgãos representativos da sociedade, como Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, poderes executivo, legislativo e judiciário, Procuradoria Geral do Estado, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Civil, as entidades de defesa das crianças e outras instituições de ações afirmativas, visando atingir o máximo de crianças e adolescentes que necessitam de atendimento especializado.
Conforme o previsto no programa, até julho de 2007, a APAE pretende minimizar a situação de vulnerabilidade em 80%, entre as 80 crianças e adolescentes atendidas pelo projeto, até agosto, possibilitar que 100% dos jovens vítimas de abuso e, ou exploração sexual, estejam recebendo atendimento especializado no Centro Psicossocial e até novembro capacitar 50 pessoas como agentes multiplicadores e realizar o acompanhamento e encaminhamento de 100% das famílias envolvidas no projeto. Entre os objetivos específicos estão selecionar 80 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, realizar psicodiagnóstico às crianças e adolescentes, promover atendimento terapêutico, oficinas de orientação sexual e vivência corporal, e produzir e divulgar material com vistas à prevenção da violência sexual.
Atualmente a APAE atende 310 alunos com faixa etária de três a sessenta anos portadoras de diversas patologias como deficiência mental, síndrome de down, autismo, paralisia cerebral e deficiência múltipla. A maior parte desses alunos, cerca de 95%, são provenientes de famílias carentes, residentes nos bairros periféricos de Vitória da Conquista, tornando-se expostos à violência sexual e social. A APAE de Conquista foi fundada em primeiro de agosto de 1977 e a instituição se mentem com verbas financiadas pelo FNDE-Fundo Nacional de Desenvolvimento Social, Secretaria de Assistência Social, instituições municipais, Direc-20 e contribuições mensais de sócios. A instituição oferece serviços de estimulação precoce, educação precoce, estimulação essencial, pré-escola, alfabetização, oficinas terapêuticas, centro de convivência e educação profissional em auxiliar de limpeza, de costura, de pintura, cozinha e cartonagem. Os alunos são distribuídos em dois turnos matutino(alunos de dois a 14 anos) e vespertino de 15 anos e acima.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
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